Desde a 1ª Revolução Industrial, o ser humano busca reinventar os processos industriais, a fim de aumentar a capacidade e melhorar a efetividade dos processos. Mais máquinas, tecnologias, produtos e serviços têm sido desenvolvidos ao longo dos séculos. Impulsionada pela pandemia de Covid-19, a denominada 4ª Revolução Industrial chegou com força total. Com ela, a integração entre processos e tecnologias e a automação industrial passaram a fazer parte do cotidiano industrial. Termos que eram considerados futuristas, passaram a fazer parte do cotidiano das indústrias de todos os portes. Inteligência artificial, computação em nuvem, robótica, conexão, 5G, metaverso… Não faltam novidades para a indústria 4.0, que tem como premissa a melhoria nos processos com o aumento da produtividade. Em outras palavras, a inovação aplicada tem como objetivo conectar os processos para que eles se tornem mais eficientes, mais produtivos e, consequentemente, mais lucrativos também.
A pandemia impulsionou esses processos especialmente porque houve a necessidade de otimização e melhoria na gestão da produção. Mas não foi só ela, porque essa nova indústria já vinha sendo desenhada há alguns anos.
Prova de que a realidade já está presente no dia a dia das empresas pode ser visualizada nas principais características da indústria 4.0, sendo elas:
- Operação remota de equipamentos
- Sistemas de controle (sensores)
- Sistemas de monitoramento e bloqueio
- A realidade virtual
- A impressão 3D
- Realidade aumentada
- Simulações
- Integração de sistema, otimização de tráfego de dados

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Novos profissionais ou adaptação ao mercado?
A indústria mudou e se atualizou. Está mais tecnológica, rápida e moderna. No entanto, muitos dos profissionais que deveriam estar operando as tecnologias estão parados no tempo, sem atualização ou capacitação, dificultando a implementação efetiva de novas ferramentas e atividades.
Podemos utilizar como exemplo os operadores de câmera para captação de tomadas aéreas por meio de trabalhos embarcados em helicópteros. Já parou para pensar em termos de redução de custo e segurança, o que a era dos drones não tripulados têm trazido benefícios. Inclusive gerando oportunidades para pilotos, para instrutores e para fabricantes.
Na prática, o profissional que não se adapta ao novo mercado impede, muitas vezes, o aumento da capacidade produtiva e a redução dos custos.
Proatividade, bom desempenho e vontade de aprender são características que nunca envelhecem, mas agora é preciso mais. Estar atento às alterações e se adequar ao novo, mergulhando nas inovações é fundamental quando se deseja estar competitivo no mercado de trabalho.
Os profissionais da indústria 4.0 devem estar, cada vez mais, conectados aos problemas dos clientes e às soluções possíveis da empresa em que atuam.
Para isso, além da habilidade técnica, é preciso também ter competência para conseguir ter a capacidade de dimensionar e integrar os recursos necessários, a fim de que se tenha uma produção mais eficiente, com custo reduzido e com chances de melhorias sempre que necessário.
Características exigidas para profissionais da engenharia
Os conhecimentos matemáticos e estatísticos para modelagem de sistemas seguem sendo primordiais, especialmente porque embasam todos os novos processos implementados pela indústria 4.0. Principalmente porque, como já citado, as impressões 3D ganharam força e precisam de profissionais capacitados para que elas funcionem efetivamente na melhoria dos processos e sistemas.
Além disso, o perfil profissional de engenharia requer também a capacidade de desenvolver e gerenciar projetos, especificamente porque tudo está conectado.

O conhecimento de linguagens de programação, antes considerado como algo que agregava valor ao profissional agora é uma obrigação, tal como é a fluência em línguas estrangeiras. O mundo conectado, com redução de fronteiras e dependente das tecnologias computacionais, não abre espaço de crescimento para o (a) engenheiro (a) sem domínio em ambas.
Com mudanças e atualizações frequentes, outra exigência do mercado atualmente é o conhecimento da legislação da área. Não é necessário o domínio avançado do sistema legislativo, muito menos a aplicabilidade das normas, mas sim a compreensão do que está delimitado no texto legislativo, prazos para cumprimento da normativa e as demais exigências.
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É exigido do profissional da indústria 4.0 ainda a capacidade de ler, interpretar e se expressar por meio de gráficos, porque sem esse domínio, dificilmente será possível melhorar os processos e atividades desenvolvidas pela empresa. São através desses gráficos que, por exemplo, o profissional consegue atender a outra exigência da indústria 4.0, que é a capacidade de antever e verificar demandas.
O domínio em eletrônica, materiais, sistemas elétricos e dinâmicos é um diferencial para a área, assim como a habilidade de negociação e a capacidade de escolher tecnologias para projetar e melhorar produtos e processos. As três características auxiliam a entender melhor o modus operandi da empresa em sentido macro e micro, possibilitando uma negociação mais efetiva e melhorando os processos que não atendem aos anseios e expectativas da própria indústria.
Por fim, com a inserção de novas gerações no rol de consumidores, a responsabilidade social e ambiental passou a fazer parte da necessidade de conhecimento dos profissionais da engenharia. Sai na frente a empresa que investe e explica ao seu consumidor que acredita na sustentabilidade, já que ela é uma das mais influentes decisões de compra (ou não) das gerações atuais.
Novos desafios
Segundo a ABENGE (Associação Brasileira de Educação em Engenharia), a demanda futura para os profissionais ainda terá mais uma gama de conhecimentos agregados. Incluídos nessa lista estão:
- Internet das coisas (IoT);
- Manufatura aditiva;
- Automação industrial;
- Novas energias;
- Inteligência artificial;
- Estruturas inteligentes;
- Sensores inovadores;
- Logística flexível;
- Dispositivos wearables de baixo custo;
- Robótica avançada e transporte autônomo;
- Materiais avançados;
- Sistemas inteligentes para produtos sob demanda;
- Monitoramento e otimização de tráfego de dados;
- Soluções de economia colaborativa; e
- Gestão do ciclo de vida do produto e do serviço.
Sendo assim, essas novas características, transformadas em possibilidades e conhecimentos agregados, já deverão fazer parte do cenário de engenheiros (as) nos próximos anos. Permanecerá no mercado, com certeza, quem estiver preparado (a) para uma nova revolução.