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Excelência em Inspeção de Acessórios de Içamento: 10 Práticas que Salvam Vidas

O máximo empenho na mitigação de riscos em operações de içamento de cargas deve ser a nossa premissa fundamental e a prática contínua de todo profissional envolvido no processo, com especial ênfase aos especialistas em Saúde e Segurança do Trabalho (SST).

O içamento de cargas demanda um elevado grau de responsabilidade, não apenas sob a ótica financeira, mas, primordialmente, na preservação de vidas humanas. Essa complexidade exige uma preparação rigorosa e a nossa qualificação técnica contínua. Lamentavelmente, observo que a movimentação de cargas ainda não figura como um tema amplamente debatido nos cursos técnicos e superiores de SST, sendo raro encontrá-la como uma disciplina ministrada com a devida profundidade. Contudo, a escassez de conteúdo acadêmico não nos exime da responsabilidade de buscar capacitação especializada. 

Convido você a considerar o seguinte cenário: um profissional de SST é designado para integrar um fórum de segurança, conduzir uma investigação de acidente ou participar ativamente de uma operação de içamento. Ele possui o embasamento técnico necessário para contribuir de forma assertiva? Quais requisitos normativos devem ser observados? Quais aspectos técnicos são imprescindíveis para uma atuação eficaz?

Independentemente da nossa formação seja em nível técnico (Técnico de Segurança) ou superior (Tecnólogo e Engenheiro de Segurança) , a busca por conhecimento que agregue valor estratégico é indispensável. Faço essa afirmação baseando-me não apenas na minha vivência prática de anos no mercado, observando situações de risco sendo mitigadas ou negligenciadas, mas também em um imperativo legal. Conforme estabelecido pelas Normas Regulamentadoras (NRs) nº 11, 12, 18, 29, 34 e 37, a presença de profissionais devidamente capacitados nesse escopo é um requisito obrigatório para as organizações.

Quanto maior o grau de risco inerente às atividades de uma empresa, mais robusta deve ser a sua cultura de segurança e, consequentemente, maior a exigência por profissionais altamente qualificados. A deficiência técnica pode resultar em prejuízos incalculáveis.

Com o intuito de mitigar essas lacunas e fundamentado em discussões com especialistas do setor, compartilho a seguir 10 diretrizes essenciais sobre erros recorrentes na inspeção de acessórios de içamento. Meu objetivo é aprimorar a nossa percepção técnica no cotidiano operacional, promovendo a excelência em segurança e a minimização de riscos.

PRÁTICA 1

Verifique rigorosamente a identificação do fabricante. É alarmante a frequência com que encontro manilhas sendo utilizadas sem a gravação do nome do fabricante em seu corpo. Em caso de sinistro, a ausência dessa informação inviabiliza a rastreabilidade do equipamento, configurando uma grave violação das normas técnicas e comprometendo a integridade da operação.

PRÁTICA 2

Exija a comprovação do grau do aço e a rastreabilidade. Além da identificação do fabricante, noto que muitos acessórios não apresentam a marcação do grau do aço e o código de rastreabilidade. Tais informações são mandatórias e devem constar de forma indelével tanto no corpo do equipamento quanto em seu respectivo certificado de qualidade.

PRÁTICA 3

Inspecione a legibilidade das plaquetas de identificação em talhas. Uma não conformidade recorrente que observo na inspeção de talhas é a ausência ou a ilegibilidade da plaqueta de identificação. Todos os parâmetros técnicos do equipamento devem estar perfeitamente visíveis e acessíveis para assegurar sua correta aplicação e os limites operacionais de segurança.

PRÁTICA 4

Mantenha-se rigorosamente atualizado quanto ao arcabouço normativo. Conduzir inspeções sem o domínio da norma técnica aplicável ou basear-se em versões obsoletas constitui uma falha crítica. A título de exemplo, a NBR 13545 (Manilhas) passou por revisões recentes. Nós, profissionais de SST, temos o dever de acompanhar as atualizações normativas para garantir a conformidade legal e técnica.

PRÁTICA 5

Vede terminantemente a intercambialidade de componentes de fabricantes distintos. É comum, de forma equivocada, a utilização do corpo de uma manilha de um fabricante associado ao pino de outro. Trata-se de uma infração gravíssima. Os componentes são projetados, forjados e testados para atuar em conjunto; a sua mistura compromete a integridade estrutural e a capacidade de carga nominal do acessório.

PRÁTICA 6

Assegure que as inspeções sejam conduzidas exclusivamente por profissionais qualificados. A inspeção periódica e abrangente dos acessórios de içamento não pode ser delegada a colaboradores sem a devida proficiência. A NR-11 e a NBR 15637 determinam que o profissional seja formalmente qualificado, tendo sido treinado por uma instituição de ensino reconhecida ou pelo próprio fabricante do equipamento.

PRÁTICA 7

Empregue instrumentos de medição calibrados e específicos. Na inspeção de lingas de corrente, por exemplo, a utilização de paquímetros calibrados pode ser uma opção eficaz; no entanto, o uso de gabaritos específicos pode proporcionar maior assertividade e produtividade (devido à velocidade de execução) no processo de inspeção.

PRÁTICA 8

Exija e valide os certificados de qualidade. A utilização de acessórios desprovidos de certificado do fabricante é uma negligência severa. Além de exigir a documentação, o inspetor deve realizar o cruzamento de dados, verificando se as informações contidas no certificado são estritamente coerentes com as marcações físicas do acessório inspecionado e se atendem aos requisitos normativos.

PRÁTICA 9

Institua um rigoroso protocolo de inspeção de recebimento. A execução exclusiva das inspeções de pré-uso e periódicas é insuficiente. A inspeção de recebimento é uma etapa crítica para atestar que o acessório recém-adquirido foi entregue com todas as certificações, marcações e especificações técnicas exigidas, antes de sua liberação para a área operacional.

PRÁTICA 10

Implemente um sistema de tagueamento sistemático e eficiente. Para otimizar o controle das inspeções periódicas, recomendo a adoção de sistemas de identificação visual (como códigos de cores por semestre ou trimestre). Adicionalmente, é fundamental consultar o fabricante sobre os métodos adequados para a marcação de equipamentos forjados, assegurando que o processo não induza tensões ou comprometa a estrutura do material. 

Com o aprofundamento técnico e a imersão nesta disciplina, nós, profissionais de SST, adquirimos a capacidade de atuar de forma proativa em fóruns de segurança, contribuindo efetivamente na identificação de perigos e na avaliação de riscos. Essa proficiência nos permite a implementação de medidas de controle robustas, o auxílio direto na elaboração de análises de risco e a participação em operações de campo com elevada autoridade técnica. Em suma, o conhecimento especializado potencializa o maior pilar da nossa área: a prevenção de acidentes.

Este conteúdo agregou valor à sua prática profissional? Compartilhe suas percepções nos comentários abaixo e fomente essa discussão técnica com seus pares.

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